Em qualquer um dos tempos, das culturas ocidentais às de todos os Orientes, das criações sonoras diversas ou num haikai ductilmente escrito, na voz palavroante de Vetadorn (“aquele que habita o castelo dos ventos”) ou na grafia resignificante do poema visual, o uso desta ou daquela linguagem escolhida nunca foi o definidor da perenidade, significância estética ou da força de constituição de uma obra, seja em poesia, em música, em poesia & música, e nas artes em geral.

SIGNIFICAR, I.E., que o dizer estético se desloque de si, descolando-se do objeto artístico, e se lance – ingênuo de suas vias, consciente de seus resultados – naquilo que delimitamos como “a realidade”.

Assim nasce, aqui, de forma breve e condensada, a ideia central da organização editorial da Editora Palavroando, e de sua extensão em forma de revista: o que, em meio ao caos informativo e aos desvãos teóricos do pensamento crítico de hoje, o que, de fato,

SIGNIGFICA.

Não nos importa o que intrincadamente signifique.

Não nos importará se ao múltiplo olhar – à contraluz – signifique.

E jamais terá importância o fato do significado ser um imenso dizer ou um sussurro, porque, para nós, é do atrito entre o que há de inventivo, ou transgressor, ou indigesto, ou contraponteante, com aquilo que é a beleza em si, mas não só a beleza no outro, pan aesthesica, nos olhares que derramam significados aos pés do mundo, ou na narina que sorve o ar noturno que a beleza, em tempos de tecnodecadência, possui – mas do choque entre ambos, enfim, que na verdade tratar-se-á de um conluio aos gritos e muito bem disfarçado do qual nascerá o tão quisto SIGNIFICADO.

O mundo em absoluta destruição, o sonho de Dada ou o soco de Francis Bacon.

&

O Narguilé exalando significados como conchas de belezas aderentes, de todos os sentidos abertos e o gosto sem mácula do dândi.

Porque nos cabe, como peso e medida:

A INVENÇAO e O ESTÉTICO

O MESTRE DE OFÍCIO, O APRENDIZ

+

 O MAGO E O VISIONÁRIO.

Assim, as linguagens vistas como vindas de um único impulso gerador serão trabalhadas e publicadas, a saber: a poesia, a prosa, a tradução, o texto teatral, o roteiro, o Song book, a tese e a dissertação que procuram voz fora da Academia, a dança escrita, a silabação do corpo na performance, e tudo aquilo que funda e alimenta todas as artes citadas

em

faíscas de Beleza e abalo sísmico – mas com graça.

André Florestan, Mariana L e Luciano Garcez