MAURÍCIO PEREIRA E O HUMOR CANTABILE

Em arte, o humor se apresenta através de várias roupagens, difusas formas e línguas estéticas historicamente distantes. O gracejo, a ironia fina, a caricatura, os próprios meios linguísticos (a hipérbole, o anacoluto) atravessam o tempo e os séculos, e fazem seu voo seminal sobrevoar e fecundar – geração a geração: Luciano de Samósata inspira um Pantagruel, que por sua vez nos dá Voltaire e etc. Porque o humor não é um acessório para uma narrativa – é a própria narrativa que serve de acessório para ele: no sabido caso do “Tristram Shandy”, por exemplo, dum Lawrence Sterne,  que torna-se cada vez mais rocambolesco a cada página, tanto que podemos imaginar uma construção completamente bêbada no “nível do significante”. Ou uma chistosa marchinha que quer “explicar”, dançando errática em meio ao carnaval brasileiro, que uma tal “Chiquita Bacana” é de fato “existencialista”, mas “com toda razão”, levando as teorias de Sartre para o discurso leve e acalorado da folia.

Na entrevista que se segue, Luciano Garcez entrevista o “Mulheres Negras” Maurício Pereira, que é compositor, cantor e produtor musical. A temática aqui é a do humor na canção popular brasileira – mas, obviamente, a piada se espraia rapidamente para outras Artes, no decorrer da entrevista.

Dividida em oito partes, pode-se assistir cada uma em separado, porque os vídeos são blocos de informação autônoma.

Bom divertimento, então – e no duplo sentido:

Parte I

Parte II

Parte III

Parte IV

Parte V

Parte VI

Parte VII

Parte VIII

Mauricio Gallacci Pereira (São Paulo SP 1959). Cantor, compositor, saxofonista e ator. Em 1985, cria, com André Abujamra, a banda Os Mulheres Negras e lança dois discos: Música e Ciência (1988) e Música Serve pra Isso (1990). Na década de 1990, participa como cantor do programa Fanzine, apresentado pelo escritor Marcelo Rubens Paiva, na TV Cultura. Em 1995, lança seu primeiro disco solo, Na Tradição. Realiza o primeiro show ao vivo via internet do Brasil em 1996, entrando para o Guinness Book (livro dos recordes). Em seu segundo CD solo, Mergulhar na Surpresa (1998), acompanhado pelo pianista Daniel Szafran, interpreta canções autorais, músicas italianas e modas de viola. O trabalho traz participação especial de Skowa, Luiz Waack, Tonho Penhasco, Eduardo Cabello, Paulo Freire, Paulinho Lepetit, Guello e Mário Manga.
Em 2003, grava seu terceiro disco, Canções que um Dia Você já Assobiou – vol.1, em que é apenas intérprete de canções populares dos mais variados autores, como Erasmo Carlos, Carlos Imperial, Adoniran Barbosa, Lamartine Babo e Guilherme Arantes. Retoma o trabalho autoral em 2007, com Pra Marte, seu quarto disco, com participação de Alice Ruiz, André Abujamra e Skowa e parcerias de Arthur de Faria, Daniel Szafran e um poema de Adélia Prado por ele musicado, Pranto para Comover Jonathan. Dois anos depois, grava um disco de marchinhas clássicas dos bailes de salão do Carnaval brasileiro, chamado Carnaval Turbilhão (2009), que apresenta faixas emendadas, feitas com a intenção de reproduzir o ritmo de um baile.
Além dos próprios discos, Mauricio Pereira atua como produtor musical em trabalhos do duo instrumental Bico de Pena, das cantoras Rita Monteiro e Rossanna Decelso, da Banda Paralela, de Armando Lôbo e de Arthur de Faria. Também assina a direção de shows de Hermeto Pascoal, Paulo Moura, Os Incríveis e Jerry Adriani, a direção musical de peças de teatro e a direção de dublagem musical de desenhos animados e videogames (Discovery Kids). Compõe trilhas para peças de teatro e documentários e, em 2009, faz consultoria musical da trilha do longa-metragem É Proibido Fumar, da diretora Anna Muylaert, que ganha o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de melhor trilha sonora, em 2010.
Trabalha como ator (nos grupos de teatro Parlapatões e Jogando no Quintal) em propagandas e séries educativas (na TV Futura, TV Senac, TV Cultura), nas quais também elabora pesquisa e reportagem. Como jornalista, faz pesquisa, pauta e reportagem dos documentários que acompanham os shows gravados pelo Itaú Cultural para a série de DVDs Toca Brasil, com artistas da cultura popular. Em 2010, pesquisa conteúdo para o documentário sobre Itamar Assumpção, Daquele Instante em Diante, lançado pelo mesma instituição.