Um palco surrealista

 

São Paulo Surrealista é um ritual teatral dirigido por Marcelo Marcus Fonseca, montagem que marca a reinauguração da casa noturna Madame (antiga Madame Satã) que reabriu suas portas em 2012, no Bixiga.

Este projeto da companhia, contemplado pela Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, é uma ode à cidade e seus personagens, confrontando – em um jogo de imagens sobrepostas – as contradições e fantasias da metrópole.

O espetáculo não conta, necessariamente, uma história. Para revelar a cidade real, nada é realista. Os textos são colagens emolduradas por imagens e figuras da metrópole, sejam elas reais ou distorcidas, tendo na música ao vivo um elemento essencial para traduzir sua pulsação.

“Esta montagem propõe também que o público perceba a cidade pelos olhos de André Breton, um dos criadores do surrealismo, em um jogo que ressalta pontos turísticos, monumentos, terreiros, restaurantes e bordéis paulistanos”, explica o diretor Marcelo Marcus Fonseca.

Mário de Andrade, Roberto Piva, Pagu, nativos, cidadãos comuns, ninfas e animais recebem o surrealista André Breton, observado por Antonin Artaud (dramaturgo francês, surrealista), para um mergulho na capital paulista, percorrendo Os Nove Círculos do Inferno de Dante Alighieri.

São Paulo Surrealista teve quatro temporadas entre 2012 e 2014, contando com a passagem de atores distintos além do elenco base em cada montagem, colocando em cena aproximadamente 25 atores em uma celebração musical da cidade com alusões ao cinema de Pier Paolo Pasolini e Federico Fellini e textos escritos durante o processo pelo próprio grupo, com base na escrita automática característica do Surrealismo. Todas as canções foram compostas por Marcelo Fonseca e Wanderley Martins especialmente para o espetáculo, algumas delas “em parceria” com Arthur Rimbaud e Charles Baudelaire.

A peça ganhou ainda uma sequência, “São PAulo Surrealista 2: A Poesia Feita Espuma”, que contou com a participação especial dos poetas Claudio Willer e Roberto Bicelli fazendo os próprios papéis.

Depois de sua estreia no Museu da Língua Portuguesa em 25 de janeiro de 2012 e da temporada inicial na casa Madame, a peça cumpriu temporada nas duas primeiras sedes do grupo Teatro do Incêndio.

 

Links do espetáculo: São Paulo Surrealista:

 

TEATRO DO INCÊNDIO

Tendo como diretor Marcelo Marcus Fonseca, o Teatro do Incêndio nasceu em 1996, com a estreia de “Baal – O Mito da Carne”, de Bertolt Brecht, em uma antiga fundição de ferro no bairro de Pinheiros, em São Paulo. A peça cumpriu uma história de 2 anos, com temporadas no Teatro Oficina, Oficina Cultural Oswald de Andrade e apresentações em várias unidades do Sesc, em todo o Estado de São Paulo. Em sua primeira formação, foi batizado de Teatroaostragos (como “Canto do Bode”) e mudou seu nome para a encenação de “Beatriz Cenci” (“Les Cenci”), de Antonin Artaud, em 2000, na Funarte, em homenagem à trilogia de Roger Vitrac, companheiro de Artaud no Teatro Alfred Jarry.

O grupo tem como característica o mergulho em linguagens diversificadas e vanguardas históricas, construída ao longo de 20 anos de experimentações, sempre tendo como objetivo um estudo do ser humano encarcerado na engrenagem de uma civilização castradora, mantendo seu enfoque no cidadão afetado por valores artificiais criados pela sociedade.

Em suma, o Teatro do Incêndio é um coletivo sem autoridades, que busca uma maneira de pensar a diversidade, o outro como meta. Mais do que um grupo que faz teatro, consideramos uma ideia a ser mantida, dialogando com o nosso tempo enquanto ele acontece.