Poemópticos

Dos meios de expressão a Poesia tem sido na atualidade a menos exigida em termos de experimentação, uma vez que os trabalhos chamados ‘novos’ raramente vão além das convenções estabelecidas no século dezenove!

A poesia (e a prosa) que passam diante de nossos olhos são invariavelmente tão familiares em linguagem e estrutura, tão sem problematizações formais, tão próximas dos best-sellers de uma burguesia acomodada, que pode-se fazer uma nítida constatação:  quase nenhuma forma literária hoje parece ter necessidade real de questionamento estético, e se tal estado de coisas se perpetuar, é preciso que se diga, não permitirá à expressão nenhum tipo de frescor e renovação.

O objetivo principal dessa comunicação é nada menos do que atentarmos a estes fatos no sentido de uma ampliação drástica do nosso senso de possibilidades ficcionais, tendo sempre em mente sua distância do que temos visto e lido, ou pelo menos procurar jogar uma luz sobre questões cruciais de há muito soterradas. Como as diversas alternativas estilísticas aqui presentes podem sugerir, existe um leque bastante amplo de variações presentes para a experimentação, e o texto linear não é necessariamente um pré-requisito.

Nesse sentido – o da diversidade e troca dentro de um quadro amplo, que agora podemos passar a reconhecer melhor – a poesia intermídia, como proposto por estes poemas, distingue-se da poesia versográfica pura e simples, aquela que enfatiza o estático, o ato geralmente formalizado. Enquanto a primeira tende na direção da totalidade, expandindo o que de mais rico foi inventado, reatualizando-o e rediscutindo-o, a poesia de versos é limitada; enquanto a poesia ampla é abrangente, a poesia retórica é concentradora; enquanto uma se move a outra permanece estática.

Se o que é novo em arte contemporânea costuma tratar quase sempre de maneira inventiva com as essências do meio, no caso da experimentação os potenciais da linguagem, seu significado e significante, assim como a exploração do alcance da página impressa e retangular e o processo rítmico de virar a página, são exemplos de uma busca por esta prática; e a liberdade, em qualquer modalidade artística, significa a oportunidade intransigente em utilizar-se desses materiais básicos sem restrição – sem deferência para ser mais preciso – tanto em relação as convenções literárias quanto com as exigências mundanas; e é por isso que algumas das mais surpreendentes proposições poéticas partem de signos linguísticos não-familiares, e outras até evitam completamente a linguagem (o texto retórico).

Muito da nova poesia evita a linha e o tipo horizontal – a convenção da literatura desde Gutemberg – para enveredar por outras formas de explorar e habitar a arena disponível de uma página, ou espaço físico dado, e muitos exemplos misturam palavras, letras e imagens, para obter efeitos impossíveis de serem alcançados isoladamente  por um ou por outro.

Uma vez que o arcaico e desnecessário critério restritivo for abandonado, logo ficará claro que muitas alternativas são possíveis, o que significa que os componentes da experimentação ainda poderão ser estendidos às formas exclusivistas praticadas até o momento.

Alex Hamburger

Caderno do Aluno de Poesia Alex Hamburger

Cartaz

PANÓPTICO

VISO-PÓS

SIGNOS EM ROTAÇÃO

HOMENAGEM AO LETRISMO

MESTRE SIBILANTE

FUTURISTA - CORRENTISTA

CIRÍLICO

EZERCÍCIO

ALEX HAMBURGER

Desde o início das suas atividades nos anos 80, teve seus interesses e preocupações voltadas para as possibilidades interativas, de fusão e entrecruzamento disciplinar, tomando a experiência poética como ponto de partida e passando a desenvolver trabalhos em Poesia Visual e Sonora, Poemas Objeto, Livros-de-artista, Performances, Instalações, etc., tendo contribuído de forma decisiva para uma melhor recepção dessas novas técnicas no circuito carioca. Realizou diversas exposições coletivas e individuais, podendo-se detacar: “Retroperformance”, Caixa Cultural – RJ, 2017; “Signos em rotação”, Centro HO, RJ, 2016; “Brasil: segni d’arte”, no contexto da Bienal de Veneza, 1993; “Livrobjeto”,Galeria Saramenha, RJ,1991; “Poemobjeto”, EAV-Parque Lage, RJ, 1990; “Eletropoesia”, Galeria Candido Mendes, RJ, 1988, além de ter criado em torno de 30 trabalhos em arte-performance, alguns em parceria com a artista plástica Márcia X. ,com quem desenvolveu uma profícua parceria por 8 anos. Publicou 5 livros de poesia entre o verbal e o visual e 3 CDs de poesia sonora, obras experimentais que figuraram em destacados acervos de instituições de arte contemporânea, como a Printed Matter Bookstore – New York, Compendium of Contemporary Fine Prints – Hamburgo, Alemanha, Museu de Arte Moderna (MAM) – RJ, Itaú Cultural – SP.